A porta do quarto está entreaberta, na escrivaninha apenas uma luminária ligada com um caderno de folhas sem pautas, calejadas de tanto acompanharem um jovem moço, de feições doces e cabelos como fios de uma macarronada - levemente vermelhos e enrolados.
As mesmas feições que estão estiradas sobre uma cama desarrumada, num canto escuro. Seu braço sobre a cabeça demonstra preocupação.
Um minuto de silêncio
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Num movimento rápido, todo o corpo se mexe e senta sobre a cama, só para alcançar o caderno a caneta. O que veio depois foram lembranças em formas de versos, que talvez nunca sejam lidos. O motivo? O sentimento que abate todo herói, bravo e valente, mas que se rende ante o seu estar...
Você lembra?
Lembra aquela noite sem sono
Que diante da tela passava procurando
Até que encontrando passou a sonhar
Então sonhando, resolveu parar
Mas como nem tudo é como desejado
Tornou-me a fitar
E em seus olhos brilhou algo inexplicável
Que uniu dois lábios, num tom amável
De rosa e azul, para lá e para cá.
Assim, no mesmo movimento das ondas,
Tanto do mar quanto do amar,
Encontrou uma flor a pensar.
"Mas que história intrigante,
a qual não pára nem repara
Que para que se torne uma só,
deve-se ser um só!"
Como no lençol que cobriu as curvas da "morenaarruivada"
Ele também era um só/sol:
Único, aconchegante, envolvedor
Mas porque deixo-a arruinada?
Na assinatura, apenas um Z garranchado com cara de malvado mas que não se deixa agachar.
Mas tolo!!!!! Se os versos não serão lidos, para que foram escritos?


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